"O que relato no livro são os factos rigorosos, tal como foram percepcionados por mim durante o mês de Agosto" - Cavaco Silva, em entrevista ao Público (sábado).
Uma frase extraordinária, que resulta, certamente, do estudo de grandes filósofos da modernidade, como Kant, Heidegger ou Fernando Lima.

Alexandra Savior - M.T.M.E. [2017]



o Público, mais precisamente o Ipsilon, tem críticos de literatura (ou será de música?), que acham que toda a música que não seja clássica são "espúrios simulacros da moderna indústria de 'conteúdos' produzidos e consumidos massiva, voluntariosa e nesciamente".
talvez mandá-los foder.

Middle Kids - Edge of Town [2017]

Kasabian - You're In Love With a Psycho [2017]


tanta coisa interessante para fazer e logo haveria de dedicar um par de horas do meu fds à leitura de jornais. é uma coisa que se deve fazer de vez em quando, para aferir se as coisas ainda estão todas no mesmo sítio, se o mundo continua a girar. uma rotina higiénica, ponhamos as coisas assim.
e, sim, confirma-se, está tudo na mesma.
diria que a tal leitura de fds poderá resumir-se a um texto de uma das estrelas ascendentes - cof, cof - do jornalismo de direita. sebastião bugalho - de sua graça - descobriu que há um discreto secretário de estado que defende as exportações, os novos mercados e a captação de investimento estrangeiro.
sim, tudo isso, isso mesmo que o primeiro-ministro defende desde o dia em que tomou posse - o que até pode ser constatado no google - e que esta estrela - cof, cof - do jornalismo de direita descobriu agora, com espanto e pavor. augura-se-lhe, portanto, um futuro brilhante.

Camané - Lume [2015]

Chuck Berrry - My Ding-a-Ling [1972]


a conferência de um extremista é cancelada, devido a um misto de fanatismo e ingenuidade de uma associação de estudantes e da direção de uma faculdade. esse foi o erro.
nos dias que se seguiram, os mais ilustres comentadores de esquerda envolveram-se numa operação (inorgânica...) desculpabilizadora do gesto original e diabolizadora dos extremistas. os quais, na verdade, se limitaram a aproveitar o palco que lhes deram.

em duas sessões seguidas no parlamento. primeiro-ministro e líder da oposição envolvem-se num debate político acalorado, mas dentro das regras normais para qualquer parlamento. no plano da pura retórica.
nos dias que se seguiram - e embalados pela críticas, também elas perfeitamente banais, da esquerda a um órgão de fiscalização das finanças públicas -, comentadores de direita, em especial o coro negro do observador, envolveram-se numa operação acusadora do primeiro-ministro e denunciadora de um alegado clima de autoritarismo.

dois episódios, de sinal ideológico contrário, bem demonstrativos de que a verdade é uma coisa muito flexível que pode ser moldável ao gosto de cada um. e que, a todo o momento, pode assumir um perfil exatamente inverso ao inicial.
ou seja, estamos sempre no campo da pós-verdade, uma coisa bem mais antiga e transversal do que muitos imaginam.



escrevo sobre o que cai na mesa, não sobre o que escolho.
esta não é a minha praia natural, mas agora também já não se fazem praias naturais.