a secundarização, usemos um eufemismo, do noticiário internacional é apenas o aspecto mais visível do paroquialismo dos media portugueses.
depois, de vez em quando, aparece uma coisa destas. um autêntico ovni, como quem diz 'ó pra nós, tão cosmopolitas que somos'. não são. esta primeira página diz exactamente o contrário.

Jean Ferrat - Que Serais-Je Sans Toi [1964]



J'ai tout appris de toi pour ce qui me concerne
Qu'il fait jour à midi, qu'un ciel peut être bleu
Que le bonheur n'est pas un quinquet de taverne
Tu m'as pris par la main dans cet enfer moderne
Où l'homme ne sait plus ce que c'est qu'être deux
Tu m'as pris par la main comme un amant heureux. [Aragon]

o saraiva mora em miraflores e deu uma entrevista à sábado na casa de fim-de-semana em algés.

Radio Tarifa - Oye China [1994]


aconteceu-me hoje, acontece-me todos os dias. cenas divertidas com jornalistas. chamo-lhes divertidas, não porque tenham graça, mas porque os acho engraçados.
todos os dias penso: tens que tomar nota disto, pá. um dia vais querer contar e não te lembras, contas e ninguém acredita.
e todos os dias concluo: ainda bem que não tens diário ou caderno de memórias. olha se um dia te dava a senilidade e publicavas isso tudo.

[why music works]



Trust Us: Politicians Keep Most Of Their Promises

Avion Travel - Dormi e Sogna [1998]




não recordo exactamente quando, mas foi há muito tempo. percebi que nunca enriqueceria a trabalhar honestamente. foi aí que tomei duas decisões importantes: jogar uma vez por outra no euromilhões e tentar fazer umas poupanças para os dias em que está de chuva. têm sido alguns.
não logo, mas uns anos depois, percebi que só consegue juntar muito dinheiro quem já tem muito dinheiro. quer dizer, só os ricos podem enriquecer.
ainda mais tarde, percebi algumas das razões por que os ricos são cada vez mais ricos. uma delas é porque não pagam impostos ou pagam de uma forma muito desproporcional face ao que têm. e o verbo é mesmo esse.

não acredito em revoluções nem em grandes mudanças, apesar de os últimos anos me terem surpreendido. mesmo assim, apoio tudo o que possa ser feito, ou tentado, para equilibrar a distribuição a riqueza à face da terra.

claro que preferia ter nascido rico, ou viver à sombra de ricos, para agora estar aqui aos berros.

que o fulaninho escreva uma javardice-livro com histórias de alcova contadas por pessoas que entretanto morreram, cela va de soi, está-lhe no sangue, é da mais absoluta falta de carácter.
noto, porém, que na biografia do fulaninho está a direcção do mais influente jornal português durante duas décadas por inteiro. e isso dá que pensar.

The Beatles - Boys [1964]



as naked versions das canções de lloyd cole do período 83-96 têm a surpresa, admito que nem para todos, de constatar quão interessantes são as suas canções do primeiro período a solo. mesmo que os hinos continuem a ser os da fase commotions, como é o caso desta [a partir do minuto 3'25, claro].